12 apps em 1 ano: CBT Bot

Em março de 2016, comecei um desafio de criar 12 aplicativos em 1 ano. Até agora já publiquei 3 artigos descrevendo a criação dos primeiros. Este é o quarto artigo da série e nele vou contar minha experiência criando um bot para o Facebook.

A nova tendência entre desenvolvedores: chatbots

Desde o lançamento da plataforma de bots do Facebook Messenger, vimos uma explosão do número de chatbots sendo criados. Novas startups focadas nesse formato estão surgindo diariamente e estima-se que, somadas, já levantaram mais de 170 milhões de dólares em investimentos.

Chatbots são robôs com os quais o usuário interage por uma interface de chat ou mensagens instantâneas. Sua história se mistura com o surgimento do ramo de estudo da Inteligência Artificial.

Em 1950, no laboratório de inteligência artificial do MIT, o pesquisador Joseph Weizenbaum desenvolveu ELIZA, um chatbot terapeuta. Os alunos da universidade interagiam com um terapeuta por meio de uma interface de chat sem saber que estavam conversando com um robô. Muitos deles se surpreenderam ao descobrir que ELIZA não era, de fato, uma pessoa.

Alan Turing é considerado um dos pais da ciência da computação, além de ter contribuído significativamente para o fim da Segunda Guerra Mundial. Analisando a evolução dos computadores, pesquisadores da área da computação começaram a pensar se seria possível eventualmente criarmos uma máquina inteligente. Essas discussões iniciais levaram ao surgimento da área de pesquisa em inteligência artificial.

Mas como podemos afirmar se uma máquina é inteligente se não temos uma definição clara do que é ser “inteligente”? Para resolver esse problema, Turing propôs um teste: colocar pessoas para falar com um robô e um humano sem que soubessem de antemão quem é quem. A tarefa passa a ser descobrir quem é o robô e quem é o ser humano. Caso as pessoas não consigam diferenciar o robô do humano, significa que conseguimos criar uma máquina inteligente. Esse teste ficou conhecido como Teste de Turing.

Terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental é uma linha de terapia que vem ganhando muita força nas últimas décadas. Um dos seus conceitos que eu considero mais importante é: “pensamentos geram emoções e essas podem gerar pensamentos, portanto, muitos sofrimentos emocionais são gerados por pensamentos e crenças irracionais que provocam emoções disfuncionais”.

O modelo ABC é uma metáfora que ajuda a entender melhor como isso funciona:

  • Activating event: o “A” representa o evento que aconteceu de fato. Ex.: você envia uma mensagem para uma pessoa e ela está demorando a responder.
  • Beliefs: o “B” representa suas crenças e pensamentos sobre o que aconteceu. Ex.: quando uma pessoa demora a me responder, ela está me ignorando.
  • Consequences: o “C” representa as consequências, que podem ser emoções e ações que você tenha em decorrência do contexto de A + B. Ex.: você fica irritado com a demora da resposta.

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A terapia cognitivo-comportamental trabalha maneiras de entender e desafiar racionalmente suas crenças irracionais, ou seja, é uma tentativa de mudar o B (Beliefs) da equação para que o C (Consequences) seja diferente. No exemplo acima, o que te deixa irritado é a crença de que uma pessoa o está ignorando e não o fato em si de não ter recebido a resposta. Mudando essa crença você também muda a sua reação.

Basicamente, mudar como pensamos sobre uma situação muda a forma de agirmos e nos sentirmos em relação a ela. Um dos métodos usados é fazermos perguntas e questionamentos sobre essas crenças, e uma boa ferramenta para isso é o formulário com perguntas predeterminadas, como esse:

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A ideia

Esse formato de formulário se parece muito com uma conversa, dado que usamos uma série de perguntas. Então, talvez uma interface de conversação como a de um chatbot possa nos trazer mais facilidade de uso do que um app. Pensando nisso, resolvi criar um chatbot simples para auxiliar na aplicação dessas perguntas.

O objetivo

A maioria dos chatbots não tem interface própria e as interações acontecem por meio de outras plataformas de mensagens, como Slack, Facebook Messenger e Telegram.

A Messenger Platform do Facebook foi lançada em 2016 e já conta com mais de 11 mil bots publicados. Para esse projeto, optei por usar essa plataforma. Existem algumas bibliotecas prontas para criação de bots para o Facebook, mas dada a simplicidade de conexão, decidi escrever o código do zero.

O funcionamento é muito simples. Para receber mensagens basta registrar o seu bot na plataforma do Facebook e colocar a url que você quer receber as mensagens endereçadas ao seu bot.  Quando uma nova mensagem é enviada para o bot o Facebook vai enviar os dados como uma chamada para a url registrada. O envio de mensagens funciona através de uma API disponibilizada pelo Facebook.

O resultado final

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Estava bastante curioso para entender melhor como funcionam os bots de messenger e consegui aprender o funcionamento básico deles. Muito se discutiu esse ano na comunidade de tecnologia sobre o impacto que os bots podem ter no Marketing, eCommerce, help desk, etc. Ainda não vi nenhum bot que justificasse o seu uso no meu dia a dia, talvez veremos os primeiros bots de sucesso no próximo ano.

E você, já testou algum bot ?

Agradecimentos especiais à Izabela Linke, que revisou esse artigo.

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Edmar Ferreira é Co-Fundador e CEO da Rock Content, líder em Marketing de Conteúdo no Brasil, e é membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups de Belo Horizonte.

  • Realmente uma ferramenta muito curiosa e de potêncial tremendo.

    E você acertou Edmar, no ano que vem teremos um chatbot de sucesso no mercado nacional!

    Estou para lançar um produto chatbot rsrs. E mesmo com o produto inacabado já clientes fechados, estou bem confiante neste mercado.

    UM abraço e boa sorte com o desafio.

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