O que aprendi programando 12 apps em 1 ano

Todos os anos faço um desafio para me tirar da zona de conforto e experimentar coisas novas. Em 2014 foi ler 100 livros em um ano, não consegui ( li 58 livros ) e em 2015 repeti o mesmo desafio ( dessa vez li 103 livros ). Para 2016 decidi voltar a programar e meu desafio foi criar 12 aplicações em 1 ano.

Eu aprendi a programar sozinho quando tinha 14 anos de idade e isso mudou minha vida e a vida de muitas outras pessoas no caminho. Com o crescimento da Rock Content e meu papel como CEO eu me distanciei bastante dessa origem. Programar nunca foi trabalho para mim e sim uma forma de me expressar assim como escrever ou desenhar o é para algumas pessoas.

Em 2015, eu tive o desafio de ler 100 livros em um ano. Foi uma experiência bastante interessante, mas ao fim do processo percebi que eu gosto mais de criar do que de consumir. Senti falta do tempo em que virava madrugadas apenas para testar uma ideia, não por que a partir daí poderia surgir um negócio, mas por pura curiosidade.

Uma pergunta frequente que recebo é  “como você acha tempo para fazer isso?”.  Invariavelmente minha resposta tende a ser “como você acha tempo para TV/futebol/filmes/beber-com-seus-amigos?”. Sou muito cético com relação à famosa desculpa do “não tenho tempo”: falta de tempo é falta de prioridade, e não de tempo em si. Todos temos as mesmas 24 horas no dia. Para mim, criar coisas novas não é um trabalho, e sim um passatempo, criar é um prazer, e não um esforço, então fico muito feliz em trocar outros tipos de lazer por algumas horas programando.

Foi muito mais difícil do que eu originalmente pensei. Escrevi um post sobre cada software que programei. Para facilitar criei uma lista com o resumo de cada um deles:

1. VC Graph

Para essa aplicação coletei dados de investimentos em startups usando o Angellist. Minha ideia era tentar encontrar os investidores mais influentes usando técnicas de SNA ( Social Network Analysis ). Usando co-investimentos como o elo de ligação entre os investidores eu criei um grafo ( ou rede ) para representar essas interações. Com essas informações consegui criar um sistema para visualizar essa rede e suas sub-redes.

2. Deep Words

Quando criamos conteúdo para marketing digital, é muito comum usarmos as famosas “keyword tools” para encontrar palavras-chave interessantes para os nossos artigos. A escolha de palavras-chave é importante para conseguirmos um bom tráfego de buscadores — não apenas mais visitas, e sim visitas de pessoas que estão interessadas nos assuntos que queremos. Mas a maioria das ferramentas apenas nos trás variações das mesmas palavras nesse experimento eu tentei criar uma ferramenta que fosse além do óbvio e me ajudasse a encontrar tópicos.

3. Interest App

Eu consumo boas histórias em qualquer formato, como livros, filmes, séries. Como o tempo para me dedicar a consumir esses conteúdos é curto, tendo a ser criterioso na hora de escolher o que vou consumir. Se eu tenho tempo para ver apenas um filme ou jogar apenas um jogo, ele tem que ser muito bom.

Tento manter listas de filmes, livros, lugares e outros possíveis itens de interesse, mas com o tempo elas ficam difíceis de organizar. Uma das coisas mais bacanas de saber programar é poder resolver os seus próprios problemas. Pensando nisso, decidi criar um aplicativo para organizar todos esses interesses.

4. CBT Bot

Chatbots foram uma das tendências mais importantes de 2016. Como o primeiro chatbot da história foi o ELIZA (1964), um chatbot “terapeuta”, resolvi homenagear o clássico e criei meu próprio chatbot terapeuta baseado na terapia cognitiva comportamental.

5. MC Robô

Nos últimos anos uma categoria algoritmos de machine learning conhecidos como “Deep Learning” ganhou muita força e investimentos bilionários por parte dos maiores players da indústria de tecnologia. O grande diferencial desses novos algoritmos é sua capacidade de conseguir desempenhos “estado da arte” sem a necessidade tão grande de humanos para definir quais as características mais importantes dos dados a serem analisados.

Um desses algoritmos são as Redes Neurais Recorrentes que permitem modelar dados sequenciais como por exemplo textos. Apenas por diversão eu treinei uma Rede Neural Recorrente com letras de músicas para tentar gerar novas.

6. Rome VR

Realidade Virtual talvez seja um dos elementos mais comuns em filmes de ficção científica, perdendo talvez apenas para robôs e naves espaciais. A ideia de nos transportar para um mundo virtual que nos faça sentir como se fosse real é o grande objetivo. O que nem todos sabem é que assim como a Inteligência Artificial, a Robótica e a Engenharia Espacial, também existe um campo de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de Realidade Virtual.

Para testar essa tecnologia eu criei uma pequena vila romana que pode ser visitada dentro da realidade virtual.

7. Content Marketing News

Novas startups surgem diariamente e para me manter atualizado estou sempre de olho em bancos de dados e diretórios de startup como angellist e crunchbase. Para encontrar notícias sobre Marketing de Conteúdo ( segmento que eu atuo com a Rock Content ) criei um programa para extrair empresas de Marketing de Conteúdo do angellist e automaticamente descobrir os seus blogs e feeds de notícias.

8. Flying VR

Aprendendo um pouco mais como desenvolver aplicações para realidade virtual eu criei um demo onde eu posso usar os controles do Vive para voar como superman no ambiente virtual. O Unity 3D já possui um plugin chamado Steam VR criado pela Valve que facilita muito o desenvolvimento de jogos para realidade virtual.

9. Movie Chatbot

A Microsoft criou um chatbot que aprendeu a conversar sem a necessidade de um programador criar todas as falas uma por uma. O Chatbot foi treinado usando diálogos de filmes. Usando uma técnica de deep learning chamada seq2seq ( sequence to sequence ) eu reproduzi o mesmo experimento.

10. Random Lunch

O time da Rock Content tem hoje mais de 200 pessoas. No começo da Rock eu tinha o hábito de almoçar a cada 3 meses com todos os membros da equipe um por um. Hoje isso é completamente inviável, mas sinto falta do que aprendia nas conversas desses almoços. Para recuperar um pouco esse passado eu criei um simples app para escolher aleatoriamente um membro do time para que eu possa convida-lo para almoçar.

11. Robin Hood VR

Continuando meu aprendizado de desenvolvimento para VR dessa vez eu criei um demo mais interativo. Nele é possível usar os controles do HTC Vive para atirar flechas como Robin Hood.

12. Interest Update

Aqui eu usei a wikipedia como um banco de dados de filmes, livros, series, etc. Com esse banco de dados eu criei um sistema de alertas inteligentes para me avisar quando lançamentos relacionados aos meus interesses estivessem disponíveis.

Conclusão

Somos bombardeados todo o momento com a necessidade de sermos cada vez mais produtivos, ganhar mais, ser promovido, criar uma empresa que valha bilhões de dólares, etc. Eu considero essa mentalidade da nossa geração como uma das coisas mais fantásticas que está acontecendo no Brasil e no mundo. Empreender tem o potencial transformador que poucas atividades humanas conseguem se comparar. Mesmo com tudo isso não podemos perder a perspectiva que nem tudo na vida precisa ter um motivo, nem tudo precisa virar negócio e o mais importante: Criar não é um meio e sim um inicio e um fim para toda vida bem vivida.

Saiba quando um novo app for criado !

Coloque seu email abaixo para acompanhar cada novo app criado.

Powered by ConvertKit

Edmar Ferreira é Co-Fundador e CEO da Rock Content, líder em Marketing de Conteúdo no Brasil, e é membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups de Belo Horizonte.

  • João Dobbin

    Parabéns Ed, muito bom!

  • Fábio Mazzeu

    Animal, Doc!

  • Sensacional! Parabéns, Ed!

Site Footer