Por que eu decidi parar de reclamar e criar um aplicativo por mês

A primeira vez que eu escrevi um programa e ele fez aparecer na minha tela o clássico “Hello World”, eu me senti quase como um super-herói. À minha frente, tudo o que havia era uma tela preta com letras brancas piscando, mas, em minha mente, as possibilidades que se abriram eram infinitas. Essencialmente eu podia criar simplesmente do “nada” coisas que outras pessoas poderiam usar.

Aprender a programar mudou a minha vida de maneiras dramáticas. Eu não programo profissionalmente há alguns anos. Mas, por muito tempo, programar foi minha atividade básica de trabalho e lazer. Para quem não é da área de tecnologia pode parecer estranho que uma pessoa passe o dia no seu computador escrevendo código e quando chega em casa ainda tenha vontade de continuar executando a mesma atividade.

Hoje eu sou CEO da Rock Content, meu trabalho consiste em garantir que o time de rockstars que construímos faça o seu melhor. Isso significa que na maior parte do tempo eu não executo nada diretamente. Entretanto, programar para mim nunca foi um “trabalho”, e sim um “meio”. Ser capaz de trazer para o mundo real suas ideias é uma atividade gratificante por si só.

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Tudo está mudando aceleradamente e o software está devorando o mundo. Em cada indústria estamos vendo se repetir a luta de empresas que usam o software como diferencial competitivo contra as que são incapazes de fazer o mesmo. E as empresas de software estão vencendo. Estamos ainda em uma fase inicial de uma grande mudança e a diferença entre empresas de “software” ou de “tecnologia” para as empresas tradicionais vai deixar de existir. Todas as empresas serão empresas de “software” em algum sentido.

No ano passado, eu tive o desafio de ler 100 livros em um ano. Foi uma experiência bastante interessante, mas ao fim do processo percebi que eu gosto mais de criar do que de consumir. Senti falta do tempo em que virava madrugadas apenas para testar uma ideia, não por que a partir daí poderia surgir um negócio, mas por pura curiosidade.

Achei muito interessante o desafio que Pieter Levels fez em 2015: criar 12 startups em 12 meses. O conceito de startup usado no desafio dele não me agradou muito. Eu sou fundador de uma startup e um negócio de verdade leva anos para se tornar um verdadeiro sucesso. Para ser bem-sucedido é necessário muito foco nos objetivos e metas do seu negócio. Um empreendedor que opera múltiplas empresas simultaneamente dificilmente encontra sucesso. Podemos argumentar que alguns empreendedores como Elon Musk podem ser CEO de duas (bem-sucedidas) empresas ao mesmo tempo. Você não é Elon Musk, criar uma única empresa já é trabalho o bastante. O que Pieter chamou de startups no seu desafio eu chamaria de “projetos”. A diferença entre um projeto e uma startup para mim é que quando se fala em uma startup, estamos falando de uma empresa, e isso significa que o objetivo é criar uma organização e não apenas um produto.

Independentemente da terminologia escolhida, quando olho para o mar de wantrepreneurs e empreendedores de palco, não posso deixar de admirar o esforço de Pieter em criar coisas ao invés de apenas falar sobre fazer coisas. Vejo muita gente falando em tirar do papel suas ideias, mas muito pouca gente efetivamente produzindo.

Quantas ideias “geniais” você tem em uma lista? Quantas vezes você já se pegou fantasiando em lançar aquele livro, site, app, game que venderia milhões? O que me preocupa com essa cultura de “startups” é que a ideia do sucesso se tornou mais importante do que o prazer de criar. Você não precisa criar uma empresa para poder dar vida aos seus projetos. Nem tudo precisa ser um negócio.

Refletindo sobre essas questões, decidi que esse ano eu dedicaria o meu (pouco) tempo livre para criar coisas novas. Pretendo criar 12 apps esse ano. Muitos outros estão tentando desafios similares em 2016. Muitos dos meus amigos são pessoas muito criativas e talentosas e por mais de uma vez os vi falando sobre os livros que eles não têm tempo para escrever e os projetos que gostariam de tirar do papel. Já vi os mesmos amigos dedicando horas incontáveis a outras atividades.

Só vi isso claramente quando percebi que eu também sou assim.Esse blog vai servir para documentar minha jornada.

Em 2016 vou criar 12 projetos novos
. E você? Quando vai começar a escrever aquele conto? Lançar seu primeiro app? Colocar no ar o seu blog?

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Edmar Ferreira é Co-Fundador e CEO da Rock Content, líder em Marketing de Conteúdo no Brasil, e é membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups de Belo Horizonte.

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